Por que "Mulher-Maravilha: Ano Um" seria a inspiração ideal para um reboot da heroína nos cinemas
Caiu como uma bomba a notícia de que "Mulher-Maravilha 3" de Patty Jenkins estava oficialmente cancelado pela Warner. Afinal, a Mulher-Maravilha de Gal Gadot era considerada um dos grandes acertos da DC nos cinemas e, ao que tudo indica, ela não retornará ao papel da Princesa Amazona.
Sendo assim, poderá ser necessário um reboot completo da personagem nos cinemas. Mas com isso pode ser feito após uma versão tão bem sucedida? Eu acho que a resposta pode estar em uma de suas origens mais recentes, Mulher-Maravilha: Ano Um.
A Origem da Lenda Segundo Greg Rucka
Em 2016, a DC lançava a fase Renascimento, que buscava se distanciar definitivamente do universo dos Novos 52 e reaproximar os personagens de seus elementos essenciais. Para a Mulher-Maravilha, foi recrutado um autor já conhecido pelos fãs da personagem: Greg Rucka.
No início dos anos 2000, Greg Rucka teve a difícil missão de suceder a aclamada fase de Phil Jimenez no título da amazona e conseguiu criar uma fase mais aclamada ainda, com histórias lembradas até hoje como "Olhos de Górgona" e a graphic novel "Hiketeia".
Para a fase do Renascimento, os principais títulos da DC passaram a ser lançados quinzenalmente e isso deu a Rucka a seguinte ideia: nas edições de número ímpar ele contaria as aventuras de Diana no presente, e nas edições de número par as aventuras no passado. Mulher-Maravilha: Ano Um é justamente o primeiro arco dessas edições pares.
Escrita por Greg Rucka e contando com desenhos de Nicola Scott (a brasileira Bilquis Evely desenha uma edição focada em Barbara Minerva), Ano Um reconta a origem da Mulher-Maravilha. Rucka, na verdade, mescla elementos das diversas origens da heroína, adaptando-os à nova cronologia da DC.
Não existem grandes mudanças ou inovações nessa nova origem. O que a gente conhece já está lá: o avião de Steve cai na ilha de Themyscira, é feito um torneio para escolher a campeã das Amazonas, Diana vence e vem ao Mundo do Patriarcado trazendo o Steve.
Talvez a grande novidade seja Barbara Minerva, antes de tornar-se a Mulher-Leopardo, como uma arqueóloga que pesquisa sobre a lenda das Amazonas e ajuda Diana a se adaptar (preenchendo o papel que era de Julia Kapatelis na versão do George Perez), mas é basicamente isso.
O grande trunfo de Ano Um é justamente a habilidade de Rucka é unir todas as origens da Mulher-Maravilha em uma versão simples e coesa, com todos os elementos reconhecíveis da mitologia da personagem.
Como Ano Um pode ajudar a Warner
Em 2017, a DC nos cinemas parecia completamente perdida após a rejeição de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida. O primeiro filme solo da Mulher-Maravilha carregava uma imensa responsabilidade, mas acabou surpreendendo e foi um imenso sucesso de crítica e público.
O filme reúne elementos da versão da Era de Ouro, escrita por William Moulton Marston, e do pós-Crise, escrito por George Perez. No entanto a história se passa na Primeira Guerra Mundial, ao invés da Segunda Guerra ou dos tempos atuais.
Eu considero Mulher-Maravilha de 2017 um dos melhores filmes de origem de super-heróis e levar a ação para a Primeira Guerra Mundial foi uma boa escolha para a história que aquele filme queria contar. Mas essa mudança também gerou um problema.
Todo filme de origem estabelece um elenco de apoio para o herói, um pedaço desse universo centrado somente nele, que servirá como uma base para possíveis sequências. Entretanto, como Mulher-Maravilha se passava numa época quase 100 anos no passado, é óbvio que a maioria dos personagens estão mortos no presente.
Quando reencontramos Diana em Mulher-Maravilha 1984, ela está completamente isolada. Desse jeito, ela se torna uma super-heroína genérica porque a única coisa que vemos de Diana é ela trabalhando ou salvando pessoas. Não enxergamos a personalidade dela, não a vemos com amigos, nenhum momento que não seja a Diana heroína. Isso porque o filme não estabelece um elenco de apoio para ela.
Uma adaptação de Mulher-Maravilha: Ano Um seria perfeita para corrigir esse problema, porque essa é uma versão da origem que se preocupa em estabelecer um elenco para Diana. Steve e Etta são coadjuvantes tradicionais da Maravilha, mas a inclusão de Barbara no círculo de amigos ainda possibilita um melhor desenvolvimento da arqui-inimiga da heroína.
Além disso, é uma maneira do reboot não ficar à sobre da versão de 2017. Afinal, como o filme da Patty Jenkins já estava sendo produzido em 2016, ele traz pouca influência da fase Renascimento. Seria necessário inserir mais cenas de ação - porque a HQ não tem muitas - e mudar o vilão para repetir o Ares mais uma vez. Eu quero ver a Circe!
O que será do futuro da Mulher-Maravilha nos cinemas nós não sabemos. Aos fãs só restam torcer para que ela não seja negligenciada nesse novo direcionamento do Universo DC nos cinemas. Afinal, Batman e Superman tiveram suas histórias contadas várias vezes, a maior super-heroína dos quadrinhos merece o mesmo tratamento.




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